Baianices

Thursday, July 14, 2005

Morto e Enterrado

Agora que o blog ta morto mesmo. Me acharam, gente que me conhece ha muito tempo le esse blog. Meu Deus, sera que faz muito tempo?
Nao posso suportar a ideia de nao ser anonima. Ainda bem que me pegaram na saida...
Tchau de vez!!!

Tuesday, July 05, 2005

Blog Morto de Morte Matada

Wednesday, June 22, 2005

Meninas

Eu adoro meninas, meninas de todas as idades, todos os estilos de vida. Mas aqui em Rochester é difícil fazer amizade com mulheres da minha idade, muitas já têm dois ou três filhos. Por isso, minhas amigas americanas são mais velhas, muito mais velhas. Gente que já criou seus filhos, portanto, com tempo de sobra pras amigas.

Minha chefe tem 58 anos, mas não parece. Com dois minutos de conversa você esquece completamente as rugas que lhe entregam a idade. O namorado dela tem, pasmem, 27 anos. Os dois jogam tênis feito loucos, ela diz que um cara da idade dela nao tem a energia que ela tem na quadra. Sair com ela pra uma happy-hour na sexta-feira é garantia de divertimento, e de chegar em casa trombando nos móveis... hehehe.

Tenho mais duas amigas que são da idade de minha mãe, 55. Ontem jantamos juntas e, embaladas por muitos copos de vinho, falamos de cada assunto... o garçom tava até com medo de se aproximar da mesa da gente. De vez em quando elas falam de rugas e de cabelos brancos, e de como não são mais tão atraentes como quando eram jovens e eu fico pensando que, quando crescer, eu quero ser como elas, com todo o seu charme e sabedoria.
Somos as três panteras, cada uma com suas características peculiares.

Eu sou a jovem, a que pode tudo, assim elas dizem. Elas me conheceram cinco meses depois que eu cheguei aqui, no meu primeiro trabalho, e me admiram muito pelo modo como eu fiz daqui o meu lugar. Essas coisas que amigas falam umas pras outras. Elas também me acham muito independente e dizem que gostariam de ter sido assim na minha idade.

Tina é a sarada, malha todo dia às cinco da manha, mesmo depois de aposentada. Casada com um cara 12 anos mais novo, acha que ele podia ter um pouquinho mais de energia. Ela é muito bonita, tem um corpo maravilhoso. Tina tem uma filha um pouco mais velha que eu, e um netinho lindo, que ela adora. Ela é muito vaidosa. Seu poder está na sua história. Sofreu muito pra criar sua filha sozinha, foi posta pra fora de casa, apanhou de homem, foi parar no hospital, mas hoje é feliz.

Donna é a cademica. Ela é muito, muito inteligente. Nunca foi a Paris, mas conhece muitos outros lugares interessantes, ano passado esteve na Africa por um mês. Donna é branca, de olhos azuis e é casada com um jamaicano negro há quase trinta anos. Ela sofreu muito preconceito, ao que sempre respondeu com um belo ‘vá tomar no...’ e um dedão bem grande na cara dos idiotas que tentaram fazê-la se sentir diminuida. Tem um casal de filhos, uma em NY e o outro em Estocolmo. Donna parou de comer ‘junk food’ quando ficou amiga de Tina. Ela está muito mais magra e bonita.

O mais gostoso de tudo é que essas ‘meninas’ não me tratam de forma maternal, não ficam me dando conselhos. Nos tratamos como iguais, que somos, porque somos mulheres. E diferentes porque cada uma de nós é um universo. Eu amo minhas amigas coroas, e não as trocaria por outras novinhas em folha de jeito nenhum.

Friday, June 17, 2005

"Quando eu morrer, me enterre na Lapinha
Calça, culote, paletó almofadinha..."

E voce já pode se programar, porque eu vou morrer na Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2049, aos 79 anos. Tá bom demais, que eu não preciso ser mais velha que isso não.

E você, vai morrer quando?

Roubado da Julie.

Tuesday, June 14, 2005

In a hurry

Eu até tenho o que dizer, até tenho vontade de escrever, mas o tempo anda escasso.
Ando trabalhando bastante, resolvendo várias coisas pessoais e tirando duas horas de almoço.
Yeah, baby! Almoço e vinho, acompanhada de minha chefe. Isso é que é emprego, o resto é só trabalho.

A novidade é que minha mãe chega dia 2 de Julho, dia da Independência da Bahia, dia que dá (dava) nome ao Aeroporto Internacional de Salvador, dia de muita celebração. O quarto está sendo redecorado, o tapete vermelho está no lugar, os lençóis de cetim e o chocolate sobre o travesseiro já foram providenciados, o champanhe já foi comprado. Preparações a todo vapor para a chegada da hóspede ilustre.

Monday, June 06, 2005

Dá Licença

O Mercado Público de Rochester é muito mais que uma feira de sábado, tem muito mais que tomate, alface, banana e maçã. Aquele é o lugar onde nós, os "estrangeiros", nos encontramos e encontramos nossa comida, nossos cacarecos.
Eu adoro andar por lá e sempre volto com a sacola cheia de coisas gostosas, coisas pra matar a saudade de casa. Mas, como todo lugar, tem gente nefasta.

Sábado passado, fazendo compras na barraquinha hispanica, perguntei quanto custavam as bananas da terra, em inglês.
O vendedor respondeu em espanhol, e eu entendi. Mas, antes que ele avançasse na conversa, disse, com meu mais sincero sorriso, que não falava espanhol, ainda que minha aparência me traísse. Pois não é que o cara olhou bem na minha cara, com seu olhar mais fulminate, e disse que eu estava enganada, que nossa aparência física nada tinha em comum, e que nem de longe eu parecia com o povo dele?

Ah, se eu ainda tivesse vinte anos... Naquela época eu não tinha nenhum pudor em devolver os comentários agressivos de quem quer que fosse. Mas agora não, agora eu não vejo vantagem nenhuma em dizer a última palavra. Olhei bem pra ele, peguei minhas bananas da terra, passei pro outro lado da barraca, paguei a outra pessoa e fui embora.
A dor de ser julgada, discriminada por um igual é muito maior do que por um diferente. Do igual eu espero tolerância, conforto, reconhecimento. Eu sei que aquele homem pode ter suas razões pra pensar que eu era uma 'chicana' negando minhas origens, me escondendo atrás do meu inglês com pouco sotaque. Tem muita gente por aí que o faz. Mas há muito mais por trás da pele morena e dos cabelos encaracolados do que podemos imaginar.

Antes de continuar, deixa eu declarar minha culpa, porque eu tenho telhado de vidro. Eu já pensei uma vez que uma africana era brasileira, porque a conheci no meio de brasileiros e ninguém me disse de onde ela era. Tudo isso porque a julguei pela aparência, porque em Salvador muita gente tem a pele negra, muitos negros usam cabelos trançados. Ela não gostou, se sentiu ofendida, e eu pedi desculpas e expliquei porque tinha pensado aquilo. Acho que ela não aceitou minhas desculpas.

Agora, aquele cara da barraca hispanica queria me magoar, o fez intencionalmente. Dá licença de eu seu igual sendo diferente? Eu acredito em globalização com a mesma força que acredito na individualidade de uma pessoa, de uma cultura, de um povo.

Eu sou da sua turma sim, meu amigo, quer voce goste quer nao. Olha a cor da minha pele, a minha bunda grande, o formato do meu nariz, o meu cabelo mestiço. Mas eu não falo a sua língua e você não fala a minha. Eu vou voltar na tua barraca sim porque, como você, eu também gosto de aipim e de banana da terra, de batata doce e de manga. Mas, da próxima vez, falo português. Quero ver até onde avançará nossa comunicação.

Thursday, June 02, 2005

Visto

Minha mãe está no consulado em Recife agora mesmo, pedindo pelamordedeus aos cônsuls que deixem ela vir me visitar...

Apidêite: And she's got it. Yeah, baby, my mommy vai estar aqui nesse verão. Eba!!!